Acho que de todas as épocas do ano, essa de natal é a que me deixa mais melancólica, irritada, pensativa e faminta.Já explico que o “faminta” é pelo fato de eu ser vegetariana e aí já viu né? Acho que Cristo, na noite de seu nascimento, decretou que vegetarianos deveriam ser expulsos da ceia de comemoração de seu aniversário por serem pecadores e covardes ao se negarem em comer animais especialmente mortos para o santo festejo. Sendo assim, o que resta para essa miserável pecadora são o arroz, frutas e alguma coisa que eu invente na hora para não correr o risco de misturar o arroz com, sei lá, maça e pêssego em calda.
Mas voltando à melancolia e outros sentimentos nostálgicos que essa época do ano me traz, acho, definitivamente, um absurdo, uma ofensa, um horror, o consumismo maluco e ridículo que se instala na mente do povo. Não podemos culpar o comércio por isso não. Ele está fazendo sua parte nesse negócio todo de dinheiro. Sua intenção é manter as atividades econômicas ativas e bem estabelecidas. Nada a mais.
Propagandas apelativas, promoções relâmpagos, juros mínimos nos parcelamentos de 24 meses (daqui a dois natais você terminará de pagar aquele celular com wifi que deu ao seu filho de nove anos e que já não funcionará no Natal que vem). Crianças emburradas por “só terem ganhado” um vídeo game do Papai Noel, adultos estressados com a maldita ceia que está dando trabalho demais, com o defunto no forno que não ficará pronto até a meia noite, parentes reunidos se metendo em suas decisões, indagando o porquê de você ter resolvido mudar os sofás de lugar. O dia inteiro de preparação para uma noite que se acabará em minutos, com todos entupidos de comida e com sono.
Sei lá, na minha infância o natal parecia ter outros sentidos. Cansei de comer coisas simples na noite natalina e ganhar do Papai Noel presentes simples que, na maioria das vezes, não tinham nada a ver com que eu tinha pedido na cartinha. Sempre aceitei de boa esse lance de o Papai Noel não dar bola para meus pedidos. Sabia que ele era um cara muito ocupado e que era impossível atender ao pedido de todas as crianças do mundo. Minha mãe sempre me disse que o importante era a confraternização, a união da família e todas essas coisas clichês, que hoje em dia ninguém mais pensa.
Outra coisa que sinceramente me incomoda é o fato de ser, o Natal, uma festa cristã. Não que eu tenha algo contra os cristãos, mas são eles mesmos que se contradizem. Venho de família evangélica e sei o quanto minha infância e adolescência foram maçantes com essas viagens de comemorações de sei lá o que de Jesus Cristo.
Ressalto que não estou aqui para falar mal de crenças ou defender minha fome na ceia exagerada de natal. Apenas quero, com esse texto, expor minha indignação com os valores perdidos e com o consumo exagerado de tudo – comidas, presentes, etc .
Gostaria que o Natal fosse extinto do calendário dos adultos e que a inocência das crianças, ao receberem o que o Papai Noel pôde dar, fosse recuperada.
Adorei o texto. Verdade! O natal poderia ser extinto da vida do mundo!
ResponderExcluirbjs Aline