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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Por favor, valorize-me

Geralmente tento pensar em alguma coisa para escrever para que seja lido de forma despretensiosa, tipo, sei lá... Pessoas conversando na rua e uma delas demonstrando total desinteresse pelo assunto ou a comissária de vôo que, ao dar as informações para que eu saiba o que fazer em caso de queda da aeronave, acaba me fazendo entender que sim, eu vou morrer e não era para estar ali naquele vôo. Hoje, todavia, não estou muito no espírito para escrever coisas com qualquer tom irônico ou, no mínimo, despretensiosas.
Meu espírito hoje, assim como o de um bom ser bipolar, que hora se encontra sorridente, hora extremamente triste e gastando rolos de papel higiênico (ou lencinhos, caso o ser em questão seja mais chique que eu) para secar as lágrimas, encontra-se um pouco assim, meio... Como dizer? Sensível? Não, não... Sensível – o espírito – não! Até porque ele está bem raivoso para que tenha tempo de pensar em qualquer sensibilidade.
Sentimental! Acho que é melhor nominá-lo como sentimental, pois essa palavra abre um enorme leque de sub-denominações. Nostálgico, melancólico, raivoso, sozinho, fraco, saudoso, alegre, amoroso... Sim. Sentimentalismo é o que meu espírito excreta hoje.
Vi muitas coisas, li outras tantas, lembrei de infinitas mais e, de certa forma, isso possibilitou certo enturvamento sobre o modo como qual estou assistindo as vidas (e a minha própria) ao redor discorrerem.  Parei para pensar (momento blasé total) e depois de escutar algumas opiniões sobre infinitos tipos de assuntos que, independente do meu ponto de vista, continuam sendo opiniões, percebi o quanto o ser humano é faminto por atenção.
Não que eu ache isso errado. Na verdade até concordo e acho necessário vivermos em grupo. O problema é que estamos fazendo isso errado.  No meu (eu disse MEU, ok?) ponto de vista só aceitamos viver assim para que, em algum momento da vida, por menor que ela seja, sejamos vistos, percebidos, enaltecidos. Sei que existem inúmeras teorias e estudos que, sinceramente no momento não me interessam, sobre a necessidade de nosso agrupamento enquanto animais. Independente da opinião que cada um defende, continuo com a minha – a de que precisamos ser percebidos. Pelo menos nos dias de hoje.
Modero um perfil feminista no facebook e hoje recebi um email extremamente ofensivo, onde o sujeito declarava seu total desprezo pela causa e que mulheres como eu (?) estavam fadadas ao fracasso. Mulheres como eu? Não sei quem é o indivíduo sexualmente perturbado que proferiu, além do que já citei (a paradinha do meu fracasso iminente), palavras que nem compensam serem transcritas aqui, mas que ele precisa de atenção precisa. Outro exemplo, ainda sobre a defesa pelos direitos das mulheres e o fim (pelo amor de zeus) da violência das mesmas, é que já percebi que quando resolvo tocar no assunto o que mais sobram são olhares cruzados, que meio que traduzindo, significam: “Ai, que saco! Novamente a Ju falando disso!”.
Refletindo sobre o email do adolescentezinho cheio de raiva no coração, sobre o fato de pessoas falarem sem escutarem umas às outras, expondo seus pontos de vista excitantemente e sobre os olhares que se cruzam, revelando impaciência com temas tão frágeis e mal tratados, cheguei à conclusão de que sim (!), o conceito de sociedade já fugiu às regras (se é que elas algum dia existiram de fato) de sobrevivência e tomou caminhos egoístas, onde só se devota algum carisma e amizade (?) a quem nos mantém sobre pedestais de diamantes. 

Um comentário:

  1. Garanto que esse ser cheio de raiva no coração, não sabia exatamente que causa estava a defender. Tudo o que ele queria era atenção. Ou talvez firma-se como homem. Afinal, para ser alguém nesse mundo é NESCESSARIO ter uma opinião formada sobre tudo... (Preguiça)

    PS: Como vc escreve bem!!!!!!!!!!!!
    Bjsss, amorinha.

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