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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Coisas não causam medo.


Não, não tenho medo de muitas coisas. Na verdade, o que me causa um pouco de temor não são as coisas em específico, mas o que elas podem me causar. Não delas, entendeu? Han? Han?
O pânico de me “estripufar” é o que mais me deixa em pânico. Coisas não fazem mal por si só. Coisas CAUSAM mal por elas próprias.
Sempre afirmo que tenho medo de experimentar certas comidas. Muitos me acham maluca. “Como assim sentir medo de comida?” Tento explicar que não é da coisa e sim da conseqüência. Logicamente poucos compreendem, mas para mim faz o maior sentido.
Póóóórrrrque devo experimentar algo como couve refogada, por exemplo, que para minha mente, parece com algo análogo a vômito? Couve até pode me trazer benefícios milagrosos à saúde, mas e o vômito? Quem me convence de que aquela coisa de aparência pegajosa, molenga e fétida não possui alguma substância que cause um ataque fulminante nas lombrigas habitantes em meu organismo e me mate?
 Creio que a aversão às coisas se deva ao meu medo de morrer. Por que não?
Se eu ler um contrato do cartão de crédito, verei frases tão bem introduzidas em meio a palavras mentirosamente muito bem escritas, me convencerei facilmente de que alguém está tentando me enganar. Se ler a cartilhazinha que colocam no bolsão, atrás do banco de cada poltrona do avião, chegarei à conclusão de que sim! Meu avião cairá. Não presto atenção ao que a comissária de vôo explica antes da decolagem – até porque os encostos das poltronas são altos demais para que eu enxergue qualquer coisa além do cabeção logo a minha frente. Sendo assim, não saberei o que fazer em um pouso de emergência – vulgo queda da aeronave – sobre o oceano ou à mata atlântica, portanto, morrerei!
Dei dois exemplos banais, mas factuais. Independente de quanto a coisa – couve refogada ou aeronave – me traga benefícios, morrerei. 
Tenho medo da morte, não das coisas. Tudo bem que as coisas é que são causadoras, mas se as tripinhas de couve refogada me engasgarem ou se causarem um ataque fulminante nas bichas dentro de mim devido a sua nojenta aparência de “couve refogada” ou, ainda, se os acentos flutuantes dos bancos dos aviões não flutuarem, morrerei.
Por essa e por outras evito gostar de coisas. Principalmente de couve e cartilhas de avião!

Um comentário:

  1. Adorei a anologia que vc fez entre couve refogada e cartilhas de avião: ambas matam. hahahaha

    Estou adorando seus textos. Mto bom!

    Rodrigo

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