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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Nem tudo precisa ser bulling


Esses dias me perguntaram por que eu defendo o bulling. Respondi que não defendo o bulling, obviamente. Sou contra esse ato terrorista que convence as pessoas mais estranhas do mundo a se sentirem realmente estranhas.
Quando eu era pequena, era desengonçada, gordinha, usava grandes óculos redondos cor-de-rosa, que, mesmo sendo enormes, quase desapareciam em meio as minhas bochechas coradas. Sem falar do meu nariz, que de tão pequeno, parecia um clitóris. Devo ressaltar que essa descrição toda aí não saiu somente da minha imaginação fértil não. Eu sofria bulling!
 O máximo que eu escutava como consolo dos adultos que me rodeavam era: Juliana vai estudar e pare de ser manhosa. Seus coleguinhas são bobões. Eles dizem isso por que tem inveja de você. Inveja??????? De quê?????? Do clitóris implantado no meio da minha cara, do cabeção fixado em cima do meu pescoço ou das grandes bochechas coradas? Pelo amor gente! Não tentem consertar uma coisa que já é ruim o    
suficiente. Quanto mais se fuça, mais choca!
Não vou dizer que ser humilhada no colégio não me afetou. Hoje sou um pouco meio psicótica, mas pelo menos não saí matando ninguém.
O que eu quero dizer quando afirmo que estão dando bola demais ao bulling, é que as crianças não têm mais chance de crescerem naturalmente, aprendendo a lidar com as barreiras, hora estapafúrdias, hora mais sérias, que a vida impõe.
Eu era a ultima a ser chamada para o time de qualquer coisa que se jogasse na educação física, era tão estranha que passava o recreio todo trancada no banheiro, comendo um enorme cachorro quente sentada na privada. Minha vida era tão infernal, que era praxe sair correndo desesperadamente após o término de cada aula para que uma menina 150kg maior e mais estranha que eu não me pegasse e enchesse de cascudos ou afogasse na privada.
Gente, fala sério! Isso não é motivo suficiente para que uma criança desenvolva o serial killer que cada um possui dentro de si?
Só acho que devemos ter cuidado para não transformar uma indiferençazinha infantil, facilmente resolvida com o decorrer do tempo, em desculpa para a super proteção. Existe bulling sim, é realmente triste. Mas transformá-lo em cavalo de batalha também já é demais né?!

2 comentários:

  1. Parabéns, um texto inteligente e sensivel.
    Agnes

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  2. Vc escreve muito bem, Ju!

    PS: Vc era tão lindinha quando criança! Achei uma graça!

    Mas confesso que achei engraçado a forma de colocar as palavras em seus devidos lugares!


    Bjs Aline

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